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A lenda da caveira de burro: má gestão está por trás dos fracassos

Posted by victorsxavier em maio 10, 2009

caveira de burro top beer

Praia de Ipanema, esquina de Vieira Souto com Farme de Amoedo. Lugar perfeito para ter um ponto comercial, certo? Talvez não. Que o diga o proprietário do prédio onde já funcionaram o bar e restaurante Alberico’s, o Pizza Inn e até uma loja de roupas chiques. O corretor responsável pela placa de aluga-se afixada na porta não quer nem ouvir falar da velha história da caveira de burro, expressão atribuída a pontos comerciais onde nenhum empreendimento dura muito tempo.

– Não digo o preço do aluguel e nem o dono do imóvel dará entrevista. Não vou dar munição a especuladores – finalizou a breve conversa telefônica um corretor que se identificou como Wagner.

Se alguns não podem nem ouvir falar em caveira de burro, outros acham que essa história é um mito, uma desculpa muitas vezes usada por quem errou na mira ao abrir seu negócio.

– Não acredito que existam lugares inviáveis – diz o diretor de Comunicação e Marketing do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes, Pedro de Lamare. – Há pontos bons para certo tipo de atividade. Existem vários fatores que influem: divisão do espaço interno, localização da rua, vagas para estacionamento, permissão de mesas na calçada.

Analisando o caso do casarão da Vieira Souto com Farme, De Lamare diz ter observado que por ali circulam, por exemplo, poucas pessoas na hora do almoço.

– O valor do aluguel pedido também influencia.

Porteiro de um prédio vizinho há 17 anos, Getúlio de Souza, se mostra intrigado:

– Não dá para entender. O Pizza Inn vivia lotado e fechou.

Quem passa pela Avenida Atlântica também já deve ter reparado que o imóvel onde funcionaram as boates Espírito da Coisa, Catavento, Bolero e, mais recentemente, o bar Top Beer, voltou a fechar as portas e está vazio há cerca de um ano.

– Além da possível inadequação do negócio ao ponto, pode haver problema de gestão – lembra a dona da Diet Comunicação, Patrícia Kubotta. – O ser humano tem uma tendência a atribuir o próprio fracasso a fatores externos e não olhar para o próprio umbigo.

Patrícia conta que na Avenida Olegário Maciel, na Barra, um ponto considerado maldito está bombando.

– Nada dava certo ali, mas agora abriram um galeto que lota de segunda a segunda.

Com décadas de experiência no comércio gastronômico e etílico carioca, o empresário Antônio Bezerra deu um passo perigoso: abriu um bar no chamado quadrilátero das bermudas – esquina de Prudente Moraes com Paul Redfern, no Leblon, onde muitos estabelecimentos já naufragaram.

– Não tenho medo dessa história de caveira de burro. A única coisa que me assusta é casa chique, fechada e com ar condicionado – raciocina. – O carioca é muito espontâneo, gosta de sair da praia de chinelo e bermuda e almoçar tomando chope ou cerveja.

Sócio do Boteco da Garrafa, que investiu em 24 tipos de cerveja em lugar do batido chope, Bezerra diz que o segredo é inovar.

– Quase sempre falta uma boa idéia, qualquer lugar do Rio tem movimento. Mas o proprietário tem que trabalhar duro, não adianta abrir um bar para tirar onda. Quando o Outback chegou ao Rio foi para um ponto deserto lá no Recreio e tinha fila sete dias por semana por ser diferente de uma churrascaria tradicional.

O vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário, Rubem Vasconcelos, diz que quem paga R$ 400 mil de luvas e R$ 20 mil de aluguel mensal por um ponto, como acontece em alguns lugares da Zona Sul do Rio, precisa da ajuda sobrenatural:

– Aí, não tem jeito, precisa chamar padre, rabino e pastor para benzer – brinca.

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