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A alma feminina dos ‘caveiras’

Posted by victorsxavier em agosto 24, 2009

3 mulheres no bope

A alma feminina dos ‘caveiras’

Com 397 homens, Bope tem apenas três mulheres, mas que desempenham um papel: uma soldado organiza a agenda do batalhão, uma tenente é a psicóloga da tropa de elite e uma pedagoga auxilia na seleção dos PMs

Terça-feira, 12h45. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi acionado para libertar quatro reféns, entre eles uma adolescente de 13 anos, na Favela do Aço, em Santa Cruz. O grupo estava sob a mira de armas de três traficantes. De helicóptero, a tenente psicóloga Bianca Cirilo, 38, embarca com o grupo de negociadores na aeronave para mais uma missão. Ela integra o ‘trio feminino de ouro’ que não tem o título de caveira, mas faz parte da alma da tropa de 397 ‘homens de preto’.

O marco da entrada de mulheres no batalhão — em 31 anos nenhuma policial feminina foi inscrita nos cursos de ações táticas e de operações especiais — foi o caso 174, sequestro de um ônibus em 2000, no Jardim Botânico, quando morreram a professora Geisa Gonçalves e o sequestrador Sandro Barbosa do Nascimento. “Tratar dos nossos homens também é uma das nossas premissas”, explica o comandante do Bope, tenente-coronel Paulo Henrique Azevedo de Moraes.

Elas confessam que, no início, tiveram dificuldades para conquistar a tropa. Mas, hoje, o trabalho desenvolvido pela psicóloga Bianca, pela soldado Ana Paula Monteiro, 27, e pela pedagoga Rosemery Carvalho, 47, que é civil, é reconhecido pela elite da PM. “São homens que vivem situações de extremo risco, numa guerra urbana. Precisam ser acompanhados de perto”, avalia Rosemery.

Os papéis de Bianca e Rosemery são tão importantes que elas podem até reprovar os candidatos a caveira. “Na última etapa da seleção, traçamos os perfis psicológico e pedagógico, que podem apontar para uma reprovação”, explica Bianca, que cuida também da saúde mental dos policiais e faz atendimento às famílias.

No dia a dia, Bianca e Rosemery trocam informações sobre os treinamentos constantes no batalhão, que recebe ainda tropas de outras forças, como Exército, Força Nacional de Segurança e a Polícia Civil. Mas nem tudo foram flores. No início da implantação do trio, há pouco mais de cinco anos, houve resistência. “Muitos chegaram a achar que era uma espiã”, diverte-se Rosemery. Já para Ana Paula foi uma espécie de desafio. “Me sentia observada e muito cobrada. Muitos acharam que não ia conseguir. Hoje somos uma família”, diz ela.

Investigação rápida para definir a ação

Acompanhar o perfil psicológico dos policias e montar o de criminosos em caso de ações que envolvam reféns são as principais missões da tenente Bianca Cirilo. Na terça-feira, na Favela do Aço, enquanto os negociadores tentavam conseguir a rendição dos três traficantes, Bianca entrevistava os parentes para repassar informações que os ajudassem. “Faço uma espécie de diagnóstico dos tomadores de reféns. Qualquer dado nessa hora para ajudar solucionar o caso”, revela.

A ação dos bandidos durou quase cinco horas. Mas, após a liberação das vítimas, o trabalho de Bianca não acabou. É hora de dar apoio psicológico aos reféns. “Em todos os casos, fico à disposição das vítimas que passaram por extrema tensão”, conta.

Cada operação do Bope também é analisada quando a tropa retorna ao batalhão. “É nessa hora que podemos aprimorar ”, diz o comandante Paulo Henrique.

PREPARAÇÃO

Mergulhada nos ofícios, boletins e agendas da unidade, que organiza diariamente sob a supervisão de um sargento administrativo, a soldado Ana Paula se sente em casa. Desde que ingressou no Bope, em janeiro, ela realiza o sonho de fazer parte da tropa de elite. “O Bope é a minha segunda casa, quase uma religião. Não me imagino fora daqui”, diz.

Apesar de sua atribuição ser a organização da estrutura, ela sabe que precisa estar pronta, caso seja empregada em ações, como aconteceu no Morro dos Macacos. Por isso, acumula conhecimentos — ela tem até licença para pilotar aeronaves. “Fazer parte deste universo é um desafio constante. Tento aproveitar ao máximo”.

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